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sábado, 20 de agosto de 2011

Acentuação gráfica





É importante perceber que a acentuação gráfica exige o conhecimento da pronúncia das palavras, isso facilita a identificação da  presença do acento tônico. Observe a regra geral: 
 Acentuam-se graficamente aqueles vocábulos que sem acento  poderiam ser lidos ou então interpretados de outra forma. Exs.: sábia/sabia/sabiá, - ambrósia/ambrosia - secretária/secretaria

Dica: Se você tem dúvida quanto à acentuação de uma palavra, faça o seguinte:
  •  Pronuncie a palavra bem devagar, procurando sentir onde se localiza o seu acento tônico, isto é, a sua sílaba mais forte.
  • Se a sílaba tônica estiver na última sílaba da palavra, esta será considerada uma palavra OXÍTONA. Exemplos: ca, caju, so, ci, caqui.
  • Caso a sílaba tônica estiver na penúltima sílaba, a palavra será PAROXÍTONA. Ex: xi, len, hifens, lar, mesa,coragem.
  • Se a sílaba tônica estiver na antepenúltima sílaba da palavra, esta será uma PROPAROXÍTONA. Exemplos: lâmpada, matemática, química, física, exdrúxulo.
  • Terminada a classificação das palavras quanto à posição de sua sílaba tônica, vamos às regras. Assim identificaremos se a palavra deverá receber acento gráfico ou não.

Regras gerais 

Acentuam-se os MONOSSÍLABOS (palavras de uma só sílaba) TÔNICOS terminados em "a", "e", "o", seguidos ou não de s: pá, pé, nó, pás, pés, nós etc. Observação: Os monossílabos tônicos terminados em "z", assim como todas as outras palavras da língua portuguesa terminadas com essa mesma letra, não são acentuados: luz, giz, dez... (compare os seguintes parônimos: nós/noz, pás/paz, vês/vez). Também os monossílabos tônicos, terminados em "i" e "u", não recebem acento gráfico: pai, vai, boi, mau, pau etc.

 Acentuam-se as palavras OXÍTONAS terminadas em "a", "e", "o", seguidas ou não de s; e também com as terminações "em" e "ens". Exemplos: cajá, café, cipó, armazém, parabéns, etc.
Observações:
  •  As formas verbais terminadas em "a", "e" e "o", seguidas dos pronomes la(s) ou lo(s) devem ser acentuadas. Exemplos: encontrá-lo, recebê-la, dispô-los, amá-lo- ia, vendê-la-ia, etc.
  • Não se acentuam as palavras oxítonas terminadas em: _ az, ez, iz, oz - capaz, tenaz, talvez, altivez, juiz, raiz, feroz... _ i(s) - Anhembi, Parati, anis, barris, dividi-lo, adquiri-las...; _ u(s) - caju, pitu, zebu, Caxambu, Bauru, Iguaçu, Bangu, compus...; _ or - ator, diretor, detetor, condor, impor, compor, compositor...; _ im - ruim, capim, assim, aipim, folhetim, boletim, espadachim etc.
  • Acentuam-se, ainda, as palavras oxítonas com ditongos abertos - éu(s), - éi(s), e - ói(s): Exemplos: troféu(s), anéi(s), herói(s).

Acentuam-se as palavras PAROXÍTONAS terminadas em: - l, -n, -r , -x , -ei (s), - i(s), - us, - ão(s), ã(s), - on (s), -um, - uns e ps . Exemplos: mártir, fêmur, fácil, útil, elétron, tórax, córtex, pônei, vírus, órgãos, órfã, próton, álbum, fóruns, bíceps etc.

Não são acentuadas as paroxítonas terminadas em "a", "e", "o", seguidas ou não de s; e também as finalizadas com "em" e "ens". Exemplos: cama, seda, flecha, rede, sede, pote, ovo, coco, bolo, garagem, ferrugem, idem, item, nuvens, imagens, viagens, etc.


Atenção:

  • nas palavras paroxítonas, não se acentuam os ditongos abertos -ei e -oi. Exemplos: geleia, centopeia, androide, joia, boia etc.
  • As palavras paroxítonas terminadas em - n  não são acentuadas no plural (-ns). Exemplos: hifens, polens, semens.
Observação: a palavra HÍFEN possui ainda um outro plural que no caso é acentuado por ser proparoxítono: HÍFENES.

Acentuam-se todas as palavras PROPAROXÍTONAS. Exemplos: lâmpada, côncavo, lêvedo, pássaro, relâmpago, máscara, árabe, gótico, límpido, louvaríamos, devêssemos, pêndulo, fôlego, recôndito, cândido, etc.
  • Também são acentuadas as palavras terminadas em ditongo crescente ( seguidos ou não de s) que pode ser pronunciado com hiato. Exemplos: área,  idôneo, glórias, espécies, mágoa, trégua, vácuo.
Fique atento:  
  • Ditongos abertos que não estiverem na sílaba tônica da palavra,  não serão acentuados. Exemplos: pasteiZInhos, chapeuZInho, anzoiZInhos, etc.
  • Se o ditongo apresentar timbre fechado, não haverá acento. Exemplo: azeite, manteiga, judeu, hebreu, apoio, arroio, comboio, etc.
  • O ditongo "au", por exemplo, é sempre aberto (grau, nau, degrau, pau); por isso nunca será necessário diferenciá-lo de nada, ou seja, não será necessário acentuá-lo. B)
Acentuam-se as vogais -i e -u tônicas dos HIATOS quando ficam sozinhas na sílaba ou são seguidas de s. Exemplos: paraíso, uísque, ciúme, balaústre. Esta regra aplica-se também às formas verbais seguidas de lo(s) ou la(s): possuí-lo, distribuí-lo, substituí-lo, atraí-la, construí-los...

Fique atento:
  • Quando a vogal -i e -u forem acompanhadas de outra letra que não seja s, não haverá acento. Exemplos: paul, Raul, cairmos, contribuinte.
  • Se o -i for seguido de "nh", não haverá acento. Exemplo: rainha, moinho, tainha, campainha, etc.
  •  As formas verbais "possui", "sai", "cai", por exemplo, podem ou não aparecer acentuadas. Se forem a terceira pessoa do singular do presente do indicativo dos verbos possuir, sair, cair, elas não levarão acento. Exemplos: Ele/Ela possui, sai, cai. Se, no entant o, forem a primeira pessoa do singular do pretérito perfeito, as formas serão acentuadas: Eu possuí, saí, caí.
  • a vogal -i e -u embora fiquem sozinhas na sílaba , em palavras paroxítonas, não serão acentuadas se precedidas de ditongo. Exemplos, taoismo, baiuca e feiura.
  • Não se acentua a primeira vogal tônica dos hiatos oo e ee. Exemplos: coo, enjoo, veem, leem.
Acento diferencial
Esse tipo de acento gráfico é empregado para diferenciar apenas as seguintes palavras paroxítonas:

  • p(ô)de ( verbo pôr na 3a. pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) para distinguila de pode ( 3a. pessoa do singular do presente do indicativo). 
  • o verbo p(ô)r ( monossílabo tônico) mantém o acento para diferenciar-se da preposição por( monossílabo átono).
É facultativo o acento diferencial em:
  •  Dêmos (primeira pessoa do plural do presente do subjuntivo) para distinguir de demos (primeira pessoa do plural do pretérito perfeito).
  • Fôrma ( substantivo) para distinguir de forma (substantivo e verbo).
  • Os verbos ter e vir são acentuados, no presente do indicativo, na forma da 3a. pessoa de plural, para diferenciá-la da forma da 3a. pessoa do singular. Exemplos: ele tem - eles têm  ele vem - eles vêm
Atenção os verbos derivados de ter e vir seguem a regra de acentuação das oxítonas terminadas em -em; a 3a. pessoa do plural tem acento circunflexo para diferenciar-se da 3a. pessoa do singular (acento agudo) . Exemplos: ele mantém  - eles mantêm  ele provém  - eles provêm.

Referências:
Gramatica-em-Textos-Leila-Lauar-Sarmento

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Oi, turminha! 9o. ano

Trovadorismo


                                                                    Imagem retirada de:http://www.recantodasletras.com.br


O trovadorismo é a primeira manifestação literária da língua portuguesa. Seu surgimento ocorre no mesmo período em que Portugal começa a se despontar como nação livre, no século XII; porém, as suas origens dão-se na Provença, de onde vai se espalhar por praticamente toda a Europa. Apesar disso a lírica medieval galego-portuguesa vai possuir características próprias e um grande productividade e número considerável de autores conservados.

As Origens do Trovadorismo Galego-Português

A mais antiga manifestação literária galego-portuguesa que se tem notícia é a "Cantiga da Ribeirinha", também chamada de "Cantiga da Garvaia", composta por Paio Soares de Taveirós provavelmente no ano de 1189 (ou 1198, há rasuras na datação).

Por essa cantiga ser a mais antiga registrada, convem-se datar daí o início do Lírica medieval galego-portuguesa. Ela se estende até o ano de 1418, quando se inicia o Quinhentismo em Portugal e na Galiza se inicam os chamados Séculos Escuros.

Trovadores eram aqueles que compunham as poesias e as melodias que as acompanhavam, e cantigas são as poesias cantadas. Quem tocava e cantava as poesias recebia o nome de Jogral (normalmente o Jogral era o próprio trovador).

As cantigas eram manuscritas e colecionadas nos chamados Cancioneiros (eram livros antigos, que reuniam grande número de trovas). São conhecidos três Cancioneiros: o "Cancioneiro da Ajuda", o "Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa" e o "Cancioneiro da Vaticana".

Os Tipos de Cantigas

Dentro do Trovadorismo galego-português, as cantigas costumam ser divididas em:

a) Líricas: Cantigas de Amor e Cantigas de Amigo
b) Satíricas: Cantigas de Escárnio e Cantigas de Maldizer A cantiga mais antiga é a da Ribeirinha.

A Cantiga de Amor


Imagem retirada de: http://www.bibliele.com/Neste tipo de cantiga, o eu-lírico é masculino, e ele sempre canta as qualidades de seu amor, à quem ele trata como superior, para ele: ela é a suserana - ele é o vassalo.




Reproduzindo, portanto, o sistema hierárquico feudal.

Ele canta a dor de amar e não ser correspondido (chamada de coita), e é a sua amada a quem ele se submete, e "presta serviço", e, por isso, espera benefício (escrito ben nas trovas).

A Cantiga de Amigo

O abraço amoroso, c.1310-1340. Codex manesse

Este tipo de cantiga não surgiu em Provença como as outras, teve suas origens na Península Ibérica. Nela, o eu-lírico é uma mulher (isso não quer dizer que quem a compunha era mulher), que canta seu amor pelo amigo (amigo = namorado) e se encontra acompanhada de sua mãe e amigas.

Normalmente, ela lamenta nas cantigas a ausência do amado. Outra diferença da cantiga de amor, é que nela não há a relação Suserano x Vassalo, ela é uma mulher do povo.

A Cantiga de Escárnio

Na cantiga de escárnio, o eu-lírico faz uma sátira:
1º a alguma pessoa;
2º de forma indireta;
3º cheia de duplos sentidos;
4º o nome da pessoa satirizada não é revelado.

A Cantiga de Maldizer

Ao contrário da cantiga de escárnio, a cantiga de maldizer traz:

1º uma sátira direta e sem duplos sentidos;
2º é comum a agressão verbal à pessoa satirizada;
3º e muitas vezes são utilizados palavrões;
4º o nome da pessoa satirizada pode ou não ser revelado.

Trovadores

Na lírica galego-portuguesa destacam-se:

- Dom Dinis
- Dom Duarte
- João Garcia de Guilhade
- Paio Soares de Taveirós
- Meendinho
- Martim Codax

Trovadorismo (Portugal:1189/1198-1418)

Período compreendido entre os séculos XII e XV correspondente à Idade Média, caracterizado por um sistema social denominado feudalismo.

Três camadas rigidamente distintas marcam a hierarquia da sociedade feudal:
Nobreza - detinha o poder sobre as terras e as pessoas que nela trabalhavam (vassalagem)
Clero - extremamente rico, graças à posse de grandes extensões territoriais
Povo - classe numericamente maior porém politicamente a menos importante

Os senhores feudais (nobres) eram proprietários dos feudos, aldeias circundadas por terras cultiváveis; nessas terras o povo trabalhava.

A terra era o índice da fortuna de um homem e era disputada constantemente através de guerras.

Para se defender os nobres contratavam guerreiros, formando espécie de exercito, que eram pagos em terra.

Dessa troca, surge a figura do vassalo, homem que, ao receber o feudo, jurava fidelidade e serviço ao seu senhor e essa relação denominas-se vassalagem.

A possibilidade de passagem de uma classe para outra era praticamente impossível, pois qualquer tentativa nesse sentido eqüivalia a contrariar a vontade de Deus.

A figura de Deus domina toda a cultura da época, gerando uma visão de mundo baseada no teocentrismo, ou seja, Deus como o centro do Universo.

A Igreja medieval exprimia o modo de pensar da classe dominante e se baseava na idéia de que a natureza humana é apenas uma expressão da vontade divina.

A autoridade da Igreja, dominando a cultura medieval, levou a uma concepção de mundo segundo a qual todas as coisas terrenas estão ligadas ao mundo divino.

O homem é colocado num plano subalterno, sendo a salvação da alma sua preocupação básica.

O poeta da época era chamado trovador e as poesias eram feitas para serem cantadas, e por isso chamadas de cantigas.

Haviam dois tipos:

a) lirico-amorosa: cantiga de amor e cantiga de amigo

b) satírica: cantiga de escárnio e cantiga de maldizer


Uma cantiga, que ficou conhecida como "A Ribeirinha", escrita por Paio Soares de Taveiros dedicada a Maria Pais Ribeiro, escrito em 1198, é o mais antigo documento escrito em língua portuguesa.

O fim desse período é didaticamente determinado pela data de 1418, ano em que Dom Duarte nomeou Fernão Lopes como conservador do arquivo do Reino (Guarda-Mor da Torre do Tombo).

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Texto de: tiosamenciclopedia

Sobre

Paio Soares de Taveirós

Paio Soares Taveiroos (ou Taveirós) foi um trovador da primeira metade do século XIII, de origem da pequena nobreza galega.

Foi o autor da célebre Cantiga da garvaia, durante muito tempo considerada a primeira obra poética em língua galego-portuguesa. É uma cantiga de amor plena de ironia, e por isso atualmente considerada por diversos autores como uma cantiga satírica.

Mesmo perdendo o seu estatuto de mais antiga cantiga conhecida, em favor de uma outra do trovador João Soares de Pávia, continua no entanto a desafiar a imaginação dos críticos, ainda em desacordo quanto ao seu real sentido, e nomeadamente no que diz respeito à personagem a quem é dirigida: uma filha de D. Pai Moniz, por muito tempo identificada como D. Maria Pais Ribeiro, a célebre Ribeirinha, amante do rei português D. Sancho I.

A constatação da existência, na época, de várias personalidades chamadas Pai Moniz, ou Paio Moniz, bem como a origem galega de Paio Soares, parecem, no entanto, contrariar esta hipótese, hoje muito discutível.
__________________

Texto de: pt.wikipedia.org

A Ribeirinha

(ou Cantiga de Guarvaía)
Paio Soares de Taveirós


No mundo non me sei parelha1,

mentre2 me for' como me vay,

ca3 já moiro por vos - e ay!

mia senhor4 branca e vermelha,

queredes que vos retraya5

quando vus eu vi en saya!

Mao dia me levantei,

que vus enton non vi fea6!



E, mia senhor, des aquel di'ay!

me foi a mi muyn mal,

e vos, filha de don Paay

Moniz, e ben vus semelha7

d'aver eu por vos guarvaya8,

pois eu, mia senhor, d'alfaya

nunca de vos ouve nen ei

valia d'a correa.
__________________________

NOTAS

de: Davi Miranda

no: aprender.unb.br



1 parelha = igual, semelhante.

2 mentre = enquanto, entrementes. Essa forma arcaizou-se, isto é, caiu em desuso, mas o espanhol manteve a forma antiga mientras.

3 ca = pois, porque. Enquanto ca também se arcaizou, o francês manteve car até hoje, com o mesmo significado.

4 senhor = senhora. Por essa época, usava-se na poesia a palavra "senhor" referindo-se indistintamente ao homem e à mulher.

5 retraya = retrate, evoque.

6 que vus enton non vi fea. Aqui o autor valeu-se de uma figura de linguagem - mais exatamente, figura de pensamento — conhecida por litote, que consiste na atenuação de uma idéia através da negação do seu oposto. Dessa forma, "não vi feia" equivale a "vi bonita".

7 semelha = parece.

8 guarvaya = manto escarlate próprio dos reis.
~~~~~~~~~~~~~~~~

A Ribeirinha

Tradução
Revista Superinteressante, ed. 108, set 1996

No mundo não conheço

ninguém igual a mim,

enquanto acontecer o

que me aconteceu,

pois eu morro por vós e ai!

Minha senhora alva e rosada,

quereis que vos lembre

que já vos vi na intimidade!

Em mau dia eu me levantei

Pois vi que não sois feia!



E, minha senhora

desde aquele dia, ai!

Venho sofrendo de um grande mal

enquanto vós, filha de dom Paio

Muniz, a julgar forçoso

que eu lhe cubra com o manto

pois eu, minha senhora

nunca recebi de vós

a coisa mais insignificante.

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Soneto


O poema de forma fixa mais encontrado é o soneto. É composto por 14 versos distribuídos em dois quartetos ( estrofes de quatro versos) e dois tercetos ( estrofes de três versos). O soneto apresenta, geralmente, versos de dez ou doze sílabas. Aparecem rimas de um tipo nos quartetos (AB), e de outro nos tercetos (CD). O soneto costuma conter uma reflexão sobre um tema ligado à vida humana.


O soneto possui uma estrutura lógica:

uma introdução que traz a ideia a ser desenvolvida nos primeiros quartetos nos dois primeiros quartetos.
o desenvolvimento, ou seja, a discussão da ideia principal no primeiro terceto.
a conclusão que é constituída pelo último terceto; estrofe chamada de "chave-de-ouro", porque resume a ideia total do poema , trazendo um ensinamento - uma verdade universal.

Leia abaixo o poema de Vinícius de Moraes:


Soneto de amor total



Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.


Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.


Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.


E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.




Observe que no verso 14 é possível perceber uma reflexão sobre o seu modo de amar, além disso, o verso é decassílabo, as rimas apresentam o esquema ABAB ABBA CDC DCD.


Métrica é a contagem das sílabas poéticas de um verso.


Você sabe o que é sílaba métrica? Sílaba métrica ou sílaba poética é a sílaba contada no verso, tal como é apercebida pelo ouvido. A contagem das sílabas métricas difere da gramatical. Por exemplo: no verso 1 do soneto de Vinícius de Moraes "Amo-te tanto, meu amor... não cante" tem onze sílabas gramaticais, mas apenas dez sílabas métricas, sendo o can de «cante» a última contabilizada.


"A- mo -te - tan - to, meu - a- mor... não- can - te" (11 sílabas gramaticais)
"A- mo -te - tan - to, meu - a- mor... não- can - (te)" (10 sílabas métricas)


Para escandir um verso, ou seja, contar quantas sílabas poéticas ele tem, você deve lembrar:


1. a contagem termina sempre na sílaba tônica da última palavra de cada verso. Dispensa-se da contagem as demais sílabas dessa mesma última palavra, se houver
2. na contagem, ignora-se sempre quaisquer pontuações
3. uando uma palavra terminar por vogal átona e a palavra seguinte começar por vogal, também átona, as sílabas que contêm essas vogais constituirão uma só sílaba poética; é o que chamamos de elisão, as vogais se fundem e por isso são contadas uma única vez
4. quando uma palavra termina por M e a seguinte começa com vogal, pode haver o desaparecimento da consoante; teremos, então, a figura poética chamada elipse


Ritmo é um dos principais elementos que configuram um poema. Isso se dá pela alternância de sílabas tônicas e átonas no verso que imprime um ritmo ao texto. Mesmo os versos modernos que não apresentam rimas têm ritmo.
Tradicionalmente, o ritmo poético é influenciado:


Pelo número de sílabas
Pela acentuação
Pela rima (em certos casos)


Quando os períodos rítmicos apresentam o mesmo número de sílabas em todo o poema, a versificação diz-se regular.
Quando não há igualdade silábica a versificação é irregular ou livre. (Celso Cunha)


Rima é a identidade e/ou semelhança sonora em versos. Pode ser interna (quando se dá no interior dos versos) ou externa (quando se dá no final dos versos).


Nos sonetos costumamos encontrar rimas dispostas nos esquemas:


• Quartetos abba ( intercaladas) ou abab (cruzadas)
• Tercetos: cdc/ dcd (cruzadas) ou ccd/ ccd (misturadas)




As rimas ainda podem ser classificadas como:


Pobres - palavras da mesma classe gramatical.
Ricas - palavras de classe gramatical diferentes.
Agudas - rimam oxítonas.
Graves – rimam paroxítonas.
Esdrúxulas – proparoxítonas.


Referências:
VERSOS, SONS, RITMOS de - GOLDSTEIN, NORMA SELTZER
http://www.lusofoniapoetica.com/

Verbos - Exercícios



01. (MED – SANTOS) Assinale a frase inteiramente correta:

a) Se você requisesse e seu advogado intervisse, talvez reavesse todos os seus bens.
b) Se você requeresse e seu advogado interviesse, talvez reouvesse todos os seus bens.
c) Se você requizesse e seu advogado intervesse, talvez reaveria todos os seus bens.
d) Se você requisesse e seu advogado intervesse, talvez reaveria todos os seus bens.
e) Se você requeresse e seu advogado intervisse, talvez reouvesse todos os seus bens.


02. (MED – SANTOS) A forma que pode estar no futuro do subjuntivo é:

a) Quando virdes a realidade dos fatos...
b) Se irmos diretamente ao assunto...
c) Quando vos verdes em idênticas situações...
d) Se susterdes a palavra...
e) Se vós imposerdes a vossa idéia...


03. (UFF) Assinale a frase em que há um erro de conjugação verbal:

a) Requeiro-lhe um atestado de bons antecedentes.
b) Ele interviu na questão.
c) Eles foram pegos de surpresa.
d) O vendeiro proveu o seu armazém do necessário.
e) Os meninos desavieram-se por causa do jogo.

04. (UFF) Assinale a série em que estão devidamente classificadas as formas verbais destacadas:

“Ao chegar da fazenda, espero que já tenha terminado a festa”.

a) futuro do subjuntivo, pretérito perfeito do subjuntivo
b) infinitivo, presente do subjuntivo
c) futuro do subjuntivo, presente do subjuntivo
d) infinitivo, pretérito imperfeito do subjuntivo
e) infinitivo, pretérito perfeito do subjuntivo


05. (ENG – MACK) Só muito mais tarde vim, a saber, que a chuva os ___________ na estrada e que não _________ ninguém que ______________.

a) detera; houve; os ajudasse;
b) detivera; houve; os ajudasse;
c) detera; teve; ajudasse eles;
d) detivera; houve; ajudasse eles;
e) detivera; teve; os ajudasse.


06. (FEB) “Ele ___________ o carro a tempo, mas não ____________ a irritação e ___________ - se com o outro motorista”.

a) freou – conteve – desaveio
b) freiou – conteu – desaveu
c) freou – conteve – desaviu
d) freiou – conteve – desaveio

07. (FEB) Assinale a alternativa que completa adequadamente as lacunas:
“Visto que a democratização do ensino é uma necessidade, a escola pública ___________ de ser realmente apoiada e defendida, embora muitos _______________ pois abaixamento de nível”.

a) tenha – contestem – haveria
b) tem – contestam – há
c) tem – contestam – haveria
d) tem – contestem – haveria

08. Se ele _________, não ___________ de rogado, ___________ que não os receberei.

a) vir – te faças – diz-lhe
b) vier – te faz – diz-lhe
c) vir – te faça – dizer-lhe
d) vier – te faças – dize-lhe
e) ier – te faças – diga-lhe


09. (CESGRANRIO) No trecho: “...fui obrigado a dá-lo de presente a um bandido, seu amigo, quando, provou que completara na véspera o seu vigésimo nono assassinato”, o mais-que-perfeito foi empregado com seu valor normal; na linguagem literária ele pode também aparecer no valor de:

a) imperativo afirmativo
b) pretérito imperfeito do subjuntivo
c) pretérito perfeito do indicativo
d) infinito pretérito
e) futuro do pretérito composto

10. (CESGRANRIO) “Acesas” é particípio adjetivo de “acender”, verbo chamado abundante, porque possui dupla forma de particípio (acendido e aceso). Em abundância, que é geralmente do particípio, em alguns verbos ocorre em outras formas. Assim, por exemplo, é o caso de:
a) coser
b) olhar
c) haver
d) vir
e) dançar

Gabarito:

01. B 02. A 03. B 04. E 05. B 06. A 07. D 08. D 09. B 10. C

sábado, 13 de agosto de 2011




Imagem retirada de  www.frasesfamosas.com.br/de/mario-quintana.html


Biografia

"Era um grande nome - ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele."


Mário Quintana

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Projeto Leitor do Futuro


O Leitor do futuro é uma iniciativa desenvolvida pelo Diario de Pernambuco e vinculada à Fundação Assis Chateaubriand  que  estimula a utilização do jornal na sala de aula como recurso pedagógico, incentivando a formação de novos leitores.
Mais de cem escolas - públicas e privadas - fazem parceria com o Leitor do Futuro, introduzindo a leitura de jornais no cotidiano dos alunos. 
O Leitor do Futuro leva o jovem ao questionamento, debate e ações sociais, vive-se  na prática a emoção de viver as etapas de produção de uma reportagem.  Jovens aprendentes trabalham com jovens ensinantes, o que faz do projeto um sucesso.

Cerimônia para entrega dos certificados - 14ª edição do Diário do Estudante
11/08/2011



Da esquerda para direita a equipe responsável pelo projeto: Érica, Conceição Cavalcanti, Paula Losada, Diogo 

 Diogo ex-aluno Agnes

Fomos presenteados com a belíssima participação da  Orquestra Criança Cidadã

Entrega dos certificados aos jovens repórteres
Olha Isabela aí, gente!

Aos que fazem o Diário do Estudante os nossos  eternos e sinceros agradecimentos.


"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."
Cora Coralina


Parabéns pelo seu dia estudante!


Oi, turminha!

PARABÉNS!


Origem
No dia 11 de agosto de 1827, D. Pedro I instituiu no Brasil os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do país: um em São Paulo e o outro em Olinda, este último mais tarde transferido para Recife. Até então, todos os interessados em entender melhor o universo das leis tinham de ir a Coimbra, em Portugal, que abrigava a faculdade mais próxima.
Na capital paulista, o curso acabou sendo acolhido pelo Convento São Francisco, um edifício de taipa construído por volta do século XVII. As primeiras turmas formadas continham apenas 40 alunos. De lá para cá, nove Presidentes da República e outros inúmeros escritores, poetas e artistas já passaram pela escola do Largo São Francisco, incorporada à USP em 1934.
Cem anos após sua criação dos cursos de direito, Celso Gand Ley propôs que a data fosse escolhida para homenagear todos os estudantes. Foi assim que nasceu o Dia do Estudante, em 1927.

Oração do estudante

Senhor, eu sou estudante, e por sinal, inteligente. Prova isto o fato de eu estar aqui, conversando com você. Obrigado pelo dom da inteligência e pela possibilidade de estudar. Mas, como você sabe, Cristo, a vida de estudante nem sempre é fácil. A rotina cansa e o aprender exige uma série de renúncias: o meu cinema, o meu jogo preferido, os meus passeios, e também alguns programas de TV . Eu sei que preparo hoje o meu amanhã. Por isso lhe peço, Senhor, ajuda-me a ser bom estudante. Dê-me coragem e entusiasmo para recomeçar a cada dia.  Fonte: www.velhosamigos.com.br


Abençoe a mim, a minha turma e os meus professores. Amém.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Dia-a-dia ou dia a dia?

A nova regra ortográfica dita que o hífen não é mais exigido nas palavras compostas que têm entre os termos um elemento de ligação (preposição, artigo ou pronome). Portanto, escreva dia a dia.
Assim como a expressão “dia a dia”, muitas outras expressões  perderam o hífen. Observe:

arco e flecha,  lua de mel, pé de moleque, ponto e vírgula, não me toques,  disse me disse, um deus nos acuda,  dor de cotovelo, pau de sebo, corpo a corpo, passo a passo, maria vai com as outras, um pega pra capar, carne de sol, faz de conta, queda de braço, forró pé de serra, fim de semana, bicho de sete cabeças, mão de obra.

Mas fique atento(a) às  exceções:

  •  água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia , ao deus-dará, à queima-roupa;
  •  os nomes de espécies botânicas e zoológicas, como andorinha-do-mar, bem-te-vi, cana-de-açúcar, coco-da-baía, dente-de-leão, feijão-carioca, feijão-verde, joão-de-barro, limão-taiti e mamão-havaí;
  •  os adjetivos pátrios derivados de topônimos compostos, como cruzeirense-do-sul, florentino-do-piauí e mato-grossense-do-sul.

A vida que eu pedi, Adeus


A peça teatral A vida que eu pedi, Adeus , comédia com Aílton Graça e Vera Mancini,  traz um casal sem emprego fixo que se "vira" com muita criatividade para sobreviver. Eurides e Armando são empreendedores : atuam em vários ramos de atividade.Os semáforos são seu ponto de venda. Seus funcionários são crianças ou adultos que  vendem balas, fazem malabarismo com bolinhas e tem até engolidor de fogo.

A peça nos remete, de forma crítica e muitíssimo bem-humorada, para o dia a dia daquelas pessoas invisíveis - ou que tentamos não enxergar - que insistem em bater nos vidros  dos carros para vender algo ou cobrar por um trabalho que não solicitamos. Pessoas que vivem às vezes de pequenos golpes para conseguir levar algum para casa.

 O autor Sérgio Roveri conta que escreveu a peça a partir da observação da rotina das milhares de pessoas que estamos acostumados a ver todos os dias nas ruas , tentando ganhar a vida.

Uma das cenas que nos chamou a atenção,  acontece quando Eurides ao chegar  à casa - carregando uma caixa de sombrinhas - encontra Armando no sofá da sala escrevendo vários bilhetinhos para serem colocados nos sacos de balas.  Ela o questiona  sobre o porquê  da insistência do homem em escrever os bilhetinhos  a mão , também  dos erros ortográficos contidos neles.  Diz que o sujeito é um burro,pois não sabe escrever nem  a palavra colaboração.

Ele se justifica, dizendo que sabe escrever e aquilo é apenas uma estratégia de trabalho, já que o bilhete xerocado  com a escrita correta soaria falso,  e ninguém compraria os saquinhos de balas. Argumenta ainda , que as pessoas gostam de se sentirem superiores e quando fazem a leitura do texto, ficam sensibilizadas  com a pobreza intelectual daqueles seres marginalizados.

Texto: Sérgio Roveri. Direção: Eliane Caffé.
Elenco: Ailton Graça, Vera Mancini, Paulo Américo e Antoniela Canto.

Se você vai a São Paulo, curta!
Vida que eu Pedi, Adeus - Comédia
Teatro Gazeta (640 lugares)
Endereço: Av. Paulista, 900 – Térreo
Horário: Sexta às 21h, Sábado às 20h e Domingo às 18h.
Classificação: 12 anos. Duração: 80 minutos

terça-feira, 19 de julho de 2011

Meu filho, você não merece nada

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.


Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.


Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.


(Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista.)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sobre a decisão de retirarem a Cruz dos lugares públicos.

O frade Demitrius falou em nome de todos os cristãos.

Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada !
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.
Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.

Frade Demetrius dos Santos Silva - São Paulo/SP

Recebida por e-mail

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Mulato - adaptação do clássico homônimo de Aluísio de Azevedo - realizada no Teatro Boa Vista












A turminha reunida aguardando o início da peça

Alunos do Ensino Fundamental II e  Médio assistem à peça O Mulato, uma adaptação do clássico homônimo de Aluísio de Azevedo, no Teatro Boa Vista.