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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Para quem gosta de belas histórias


Oi, turminha!

Para quem gosta de uma boa prosa Lygia Fagundes é fundamental.




"As mais contrastantes experiências humanas são narradas nas dezoito histórias  do primeiro volume  Antes do Baile Verde - à esquerda. [...]  Os dramas e comédias de divas da ópera, motoristas de caminhão, jovens músicos, velhos aposentados, amantes em descompasso, casamentos agonizantes. 
[...]
Por trás da enorme variedade de situações e enfoques, do trágico ao fantástico, da parábola moral ao conto de terror, o leitor encontra no volume, a inimitável habilidade da autora em observar o destino humano no que ele tem de mais frágil, secreto e surpreendente."

Em Um Coração Ardente - volume do meio - " encontramos contos selecionados pela própria autora, conduzindo o leitor ao âmago das angústias, sonhos e descobertas de seus personagens, cada um deles movido por um coração ardente."

Durante Aquele Estranho Chá - ( memórias e ficção) -último volume da foto. Encontramos a autora , ainda estudante tomando um chá com Mário de Andrade numa confeitaria paulistana, suas conversas com Simone de Bouvoir, sua amiga Clarice  Lispector e outros. 

"São memórias cruciais de sua formação literária e humana."


www.companhiadasletras.com.br/

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Você quer aprender melhor?






Oi, turminha!



Férias combina com leitura, não é verdade? Então aproveite, aprenda a aprender melhor!


Aprendendo Inteligência - Col. Neuro-pedagogia Vol. 1
                                                Aprendendo Inteligência - Col. Neuro-pedagogia Vol. 1


Autor: Piazzi, Pierluigi; Piazzi, Pierluigi
Editora: Aleph
Categoria: Ciências Humanas e Sociais / Pedagogia


          Durante muito tempo, acreditou-se que a inteligência fosse uma característica inata. O fator genético era considerado bem mais influente do que o fator ambiental. Porém, devido aos avanços da neurociência, ficou demonstrado que inteligência, talento e vocação são características que podem...“Aprendendo Inteligência? Ensinando Inteligência? Mas que arrogância!” 


         Essa é uma das frases mais cochichadas pelas costas do professor Píer desde que ele empreendeu essa cruzada: ENSINAR INTELIGÊNCIA!


      Talvez até tivessem razão os “cochichadores” se as teorias psicológicas vigentes até pouquíssimo tempo atrás estivessem corretas, ou seja, se a INTELIGÊNCIA fosse uma característica essencialmente genética. Hoje as neurociências, pelo contrário, demonstram a INTELIGÊNCIA, TALENTO e VOCAÇÃO são características adquiridas. Testes de QI e testes vocacionais mostram apenas um momento do indivíduo, momento esse que pode ser alterado com facilidade e um pouco de esforço como é mostrado nesse primeiro volume da coleção Neuro-Pedagogia, dedicado aos estudantes de todos os níveis.

www.livrariasaraiva.com.br/.../aprendendo-inteligencia-col-neuro-pedag.


A menina sem palavra

      Oi, Turminha!

Para quem gosta de ler contos, tenho uma dica valiosa: A menina sem palavra - Histórias de Mia Couto. Você logo descobrirá que ler Mia Couto e perder-se em meio a palavras, encontrar -se nos significados e encantar-se nas imagens.  Divirta-se com a leitura do conto.

Abraço!

                            
A Menina Sem Palavras

Autor: Mia Couto
Assunto: Contos e Crônicas
Editora: Boa Companhia
Sinopse:
Os dezessete contos desta antologia foram escritos em fases distintas da carreira do escritor Mia Couto e compõem um panorama surpreendente do universo infantil em Moçambique. Acostumados a reconhecer nos povos africanos a violência e a miséria, o leitor encontrará nessa seleção uma delicadeza que não se vê nos relatos oficiais. As histórias selecionadas mostram a complexidade que move as relações familiares, a orfandade em um país que viveu por anos em guerra, a realidade das crianças submetidas ao trabalho infantil e os resquícios da luta pela independência. 
Mia Couto é um prosador bastante sensível às complexidades da vida e um escritor que constrói as narrativas inspiradas na linguagem oral, revelando a sua influência e admiração pelo nosso Guimarães Rosa, sem contar a presença do fantástico e do religioso em suas histórias. 


A menina sem palavra

                                                                                 ( segunda história para a Rita)


       A menina não palavreava. Nenhuma vogal lhe saía, seus lábios se ocupavam só em sons que não somavam dois nem quatro. Era uma língua só dela, um dialecto pessoal e intransmixível? por muito que se aplicassem, os pais não conseguiam percepção da menina. Quando lembrava as palavras ela esquecia o pensamento. Quando construía o raciocínio perdia o idioma. Não é que fosse muda. Falava em língua que nem há nesta atual humanidade. Havia quem pensasse que ela cantasse. Que se diga, sua voz era bela de encantar. mesmo sem entender nada as pessoas ficavam presas na entonação. E era tão tocante que havia sempre quem chorasse.

      Seu pai muito lhe dedicava afeição e aflição. uma noite lhe apertou as mãozinhas e implorou, certo que falava sozinho:

         _ Fala comigo, filha!

          Os olhos dela deslizaram. A menina beijou a lágrima. Gostoseou aquela água salgada e disse:

          _ Mar...

          O pai espantou-se de boca e orelha. ela falara? Deu um pulo e sacudiu os ombros da filha. Vês, tu falas, ela fala, ela fala! Gritava para que se ouvisse. Disse mar, ela disse mar, repetia o pai pelos aposentos. Acorreram os familiares e se debruçaram sobre ela. mas mais nenhum som entendível se anunciou.

           O pai não se conformou. pensou e repensou e elabolou um plano. Levou a filha para onde havia mar e mar depois do mar. Se havia sido a única palavra que ela articulara em toda a sua vida seria, então, no mar que se descortinaria a razão da inabilidade. 

            A menina chegou àquela azulação e seu peito de definhou. Sentou-se na areia, joelhos interferindo na paisagem. E lágrima interferindo nos joelhos. O mundo que ela pretendera infinito era, afinal, pequeno? Ali ficou simulando pedra, sem som nem tom. O pai pedia que ela voltasse, era preciso regressarem, o mar subia em ameaça. 
              
                _ Venha, minha filha!

                Mas a miúda estava tão imóvel que nem se dizia parada. Parecia a águia que nem sobe nem desce: simplesmente se perde do chão. Toda a terra entre no olho da águia. E a retina da ave se converte no mais vasto céu.  O pai se admirava , feito tonto: por que razão minha filha me faz recordar a águia?

                 _ Vamos, filha! Caso senão as ondas nos vão engolir.

                O pai rodopiava em seu redor, se culpando do estado da menina. Dançou, cantou, pulou. Tudo para a distrair. Depois decidiu as vias do facto: meteu mãos nas axilas dela e puxou-a. Mas peso tão toneloso jamais se viu. A miúda ganhara raiz, afloração de rocha? 


               Desistido e cansado, se sentou ao lado dela. Quem sabe cala, quem não sabe fica calado? O mar enchia a noite de silêncios, as ondas pareciam já se enrolar no peito assustado homem. Foi quando lhe ocorreu: sua filha só podia ser salva por uma história! E logo ali lhe inventou uma, assim:

               Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou à dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos,  com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa. 

             Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engoido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário de todas as direções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares. Olhou o horizonte e chamou:

              _ Pai!

               Então, se abriu uma fenda funda, a ferida de nascença da própria terra. Dos lábios dessa cicatriz se derramava sangue. A água sangrava? O sangue se aguava? E foi assim, essa foi uma vez. 

              Chegado a este ponto, o pai perdeu voz e se calou. A história tinha perdido o fio da meada dentro da sua cabeça. ou seria o frio da água já cobrindo os pés dele, as pernas de sua filha? E ele, em desespero:

               _ Agora, é que nunca.
         
            A menina, nesse repente, se ergueu e avançou por dentro das ondas. O pai a seguiu temedroso . Viu a filha apontar o mar. Então ele vislumbrou, em toda a extensão do oceano, uma fenda profunda. O pai se espantou com aquela inesperada fractura, espelho fantástico da história que ele acabara de inventar . um medo fundo lhe estranhou as entranhas. Seria naquele abismo que eles ambos se escoariam?
               
                _ Filha, venha para trás. Se atrase, filha, por favor...


                Ao invés de recuar a menina  se adentrou mais no mar. Depois, parou e passou a mão pela água. A ferida líquida  se fechou, instantânea. E no mar se refez, um. A menina voltou atrás, pegou na mão do pai e o conduziu de rumo a casa. No cimo, a lua se recompunha.

               _ Viu, pai? eu acabei a sua história!

               E os dois, iluaminados, se extinguiram no quarto de onde nunca haviam saído.  


A MENINA SEM PALAVRA - Histórias de Mia Couto
            
     

                 
              
           

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

UMA CRIATURA DÓCIL



Oi, turminha!

Para quem ama a literatura, um passeio pela novela Uma Criatura Dócil será um pequeno prazer inadiável. Postei uma resenha show!
Disponível em: http://www.livrosabertos.com.br/2011/11/08/uma-criatura-docil/


Se der vontade, divirta-se!

www.slideshare.net/LongPlay/fiodor-dostoievski-uma-criatura-docil



                    Cosac Naify


Longe de ser uma leitura difícil, Uma criatura dócil é uma novela cujo intervalo de tempo entre a primeira e a última página pode ser super-rápido, mesmo levando em conta os leitores iniciantes. Ou seja: é um prazer que dura uma tarde ou menos. O problema não é o esforço exigido para entender a história no grau mais primário, e sim o trabalho complexo de análise a ser feito para compreender exatamente as implicações do enredo. É basicamente Dostoiévski com sua fórmula usual — uma escrita descomplicada e um tema pesado, com mil e uma interpretações válidas. A narrativa não chega a ser kafkiana, na medida em que, como afirma o escritor, é “realista no mais alto grau”. Mas, dadas as possibilidades de se retirar dela um número assustador de significados, ou mesmo nenhum (por mais paradoxal que soe), dá para compará-la ao clássico A Metamorfose.
Duas editoras publicaram a novela que o próprio Fiódor classificou como “fantástica” (“Intitulei-a de ‘fantástica’, ainda que eu mesmo a considere realista no mais alto grau. Mas aqui de fato ocorre o fantástico, e justamente na própria forma da história, o que eu considero necessário esclarecer de antemão”.): a Cosac Naify, sob o título de Uma criatura dócil (R$ 42,00), e a Editora 34, emDuas narrativas fantásticas — A dócil e O sonho de um homem ridículo (R$ 34,00). Possuo o exemplar da Cosac: leve, bem-feito, com litografias de Lasar Segall e tradução de Fátima Bianchi.
O livro tem início com uma morte. A mulher de um propretário de uma casa de penhores jaz, pelo que serão os últimos momentos antes dos atos fúnebres, inerte diante dele. A tarefa que ele se impõe parece ainda mais nefasta do que a própria perda: compreender o porquê da daquilo tudo. Assim, em um monólogo desesperado e nem sempre coerente, o narrador detalha o momento em que os dois se conheceram — quando ela penhorava seus poucos e pífios pertences para publicar, no jornal, anúncios através dos quais procurava um emprego —, seu casamento e o fim da vida dela.
O matrimônio do senhor com a jovem de dezesseis anos é pouco ou nada esclarecido, envolto em nuvens de ambos os lados. Ele buscava uma companheira que o compreendesse e aplacasse sua solidão; ela procurava fugir à pobreza extrema e aos maus-tratos das tias. Ambos falharam em suas atribuições e, consequentemente, não tiveram satisfeitas as suas necessidades (as dela, no entanto, não ficam claras). A partir do momento em que o relacionamento tem início, logo após a proposta feita de forma pragmática e um tanto fria, a comunicação deficiente, o orgulho e a melancolia têm peso determinante no desfecho que tira a vida da moça. E mais o leitor não pode enxergar: só pressupor.
Mesmo em se tratando de um monólogo, e mesmo sendo uma obra-prima de Dostoiévski, que sabidamente mergulha no psicológico de suas personagens, é dificílimo sondar o que aconteceu e porquê aconteceu. A simbologia é belíssima — quando a moça penhora uma estátua da Virgem e sua própria pureza e, por isso, paga com a vida o preço pelo resgate de esperanças e sonhos perdidos após um casamento infeliz com um sujeito que claramente faz uma leitura errada do modo correto de acolhê-la.
Uma criatura dócil é angustiante, desagradável e deprimente. É ótimo, como tudo o que Dostoiévski produziu, mas a impressão que deixa é péssima, funesta. Não é o fato de ser necessário refletir sobre a obra o que a torna tão intolerável, mas precisamente as conclusões a que o leitor pode chegar — todas extremamente tristes. Que uma pequena falha em nossa comunicação pode provocar as maiores catástrofes. Que nossos desejos nem sempre são os do outro. Que a orgulhosa vontade de parecer ser qualquer outra coisa mascara quem realmente somos. Que muitas de nossas emoções são tênues e fugazes, e que esses ímpetos podem nos custar a vida. Que somos frágeis. E, finalmente, que tudo tem um preço — o valor pode ser material ou não.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Um estudo em vermelho

Outro livro que amo!

Elementarmeu caro Watson”.


Um estudo em vermelho, de Arthur Conan Doyle, com capa de Diego Patiño, é o mais novo relançamento de visual caprichado da coleção Eu Leio, da editora Ática.



       Acredito que mesmo quem nunca leu uma história do famoso detetive Sherlock Holmes, personagem criado por Arthur Conan Doyle , já repetiu o bordão Elementarmeu caro Watson”. Mais de 100 anos depois da primeira publicação, as aventuras do detetive continuam inspirando produções literárias e cinematográficas. 

       Em Um estudo em vermelho esse bordão não será encontrado, pois a frase é atribuída ao ator William Gillett, conteporâneo do escritor e primeiro Holmes dos palcos. 

       Nesse texto, de gênero investigativo,  você descobrirá a primeira aventura de Sherlock, narrada pelo doutor Watson. A dupla se conhece ao dividir um apartamento em Londres, Baker Street, e logo começa a compartilhar pistas sobre um terrível assassinato.

        O estadunidense Enoch Drebber é assassinado em Londres; seu corpo é encontrado numa casa abandonada sem vestígios da arma usada para matá-lo. Uma estranha inscrição na parede, escrita a sangue, e uma aliança de mulher são as únicas pistas aparentes.
O caso, aparentemente impossível de ser resolvido, colocará à prova toda a astúcia e capacidade dedutiva do detetive e do leitor.

Você vai perceber o quanto será difícil soltar o livro antes de terminar a leitura.



Aventuras de Alice no subterrâneo



Eu sempre fui apaixonada pela personagem Alice, se você também é, leia  Aventuras de Alice no Subterrâneo, de Lewis Carroll, edição da Scipione. O livro é uma recriação, na língua portuguesa  do manuscrito de Charles Lutwidge Dodgson para a garota Alice Liddell. O reverendo anglicano tinha na época 30 anos e era professor do Christ College, em Oxford, Inglaterra.

o verão de 1862, ele fez uma série de excursões de barco pelo rio Tâmisa, em companhia de seu colega, o reverendo Duckworth, e de três meninas, de treze, dez e oito anos, filhas do reitor. Durante um desses passeios, ele criou a história narrada neste livro para divertir as três irmãs, Lorina, Alice e Edith Liddell. A história agradou particularmente a Alice, a irmã do meio, por ser ela a homônima da personagem, uma menina tão viva e curiosa como ela mesma.


Nos dias seguintes, Alice sempre pedia para o reverendo escrever uma história para ela. O professor atendeu ao pedido e colocou no papel, com imenso capricho e letra bem desenhada, as aventuras que criara no dia 04 de julho, enqunto ele e Duckwort remavam nas mansas águas do rio. à medida que escrevia, ia deixando espaços que preencheria com ilustrações desenhadas por ele mesmo. As capas da frente e de trás foram também decoradas por ele, contendo entre um arabesco de flores, a dedicatória: "Um presente de natal para uma criança querida em memória de um dia de verão". 

Esse livro foi a base para o texto das famosas “Aventuras de Alice no País das Maravilhas”. O manuscrito foi lido na época por amigos do autor, que sugeriram sua publicação. Dodgson acabou por se convencer de que o livro poderia ser bem aceito como obra impressa e preparou o texto para edição, aumentando e modificando, aqui e ali, o original feito para Alice Liddell. Para a versão definitiva, publicada em 1865, adotou, no entanto, o pseudônimo de Lewis Carroll, com o qual se tornou conhecido e admirado muito rapidamente, pois o livro obteve sucesso imediato .
Myriam Ávila
“Aventuras de Alice no Subterrâneo”, de Lewis Carroll, com tradução de Adriana Peliano e Myriam Ávila. Editora Scipione, 96 páginas, R$ 39,90.

O livro é lindo, um belíssimo presente para eterno encantamento.

Ah, tão bom ler!

Ler é sempre um grande prazer, pois nos traz momentos mágicos. Sonhos fundem-se à realidade, revoltas à cumplicidade, medo à liberdade... Vamos permeando extremos de nós mesmos: desconhecidos ou aprisionados, submergem em nós ...  Leia o conto abaixo e desfrute desse prazer indescritível - a leitura.

O homem que resolveu contar apenas mentiras




              Naquela manhã, acordou disposto a só contar mentiras. A não dizer uma única verdade. A ninguém. Nem à própria mulher. E assim quando afirmou: 'vou para o trabalho', empregou sua primeira mentira. Não ia. Tinha resolvido faltar, esquecer o escritório, a mesa, os papéis. Parar, ficar na rua. E quando disse bom-dia para o zelador do prédio, também mentia, porque odiava o zelador, um oportunista, que não conservava o prédio, fazia fofocas entre empregadas, pedia gorjetas, ganhava porcentagem na compra de materiais de limpeza. E quando disse o endereço ao motorista do táxi, também mentia, não pretendia ir para aquele lugar. Mas o chofer exigira o destino pois as pessoas vivem exigindo as coisas. E nem sempre temos vontade ou possibilidade de fazer. E as exigências crescem e se tornam parte de nossa vida diária. Nos acostumamos com elas, nos acomodamos, sem perceber que cada concessão é um pedaço da gente mesmo, envenenado, que a gente engole. E quando o homem entrou no bar e pediu café, mentia, porque não queria café. Estava apenas fazendo um teste, enquanto observava o gesto maquinal daquele empregado que destacava uma ficha e a entregava. Será que aquele funcionário, alguma vez, imaginou que alguém pudesse não querer café?

                Pedir, por pedir, mas não querer? Nem sequer desejar ver a xícara fumegante?Com a ficha na mão, saiu pela rua. Outra mentira, não queria ficar na rua. Mas se entrasse no escritório, seria mentira maior. Odiava o escritório, o empregado, os colegas. De duas mentiras, preferiu a menor, ainda que, ponderando, descobrisse que ficar com a mentira menor era igualmente fuga , mentira, porque nesse dia tinha decidido mentir. E quando se decide uma coisa, o melhor é levá-la até o fim.

                  Andou. Pensando como a cidade era bonita com seus prédios batidos de Sol e os vidros dando mil reflexos. Bonita com a gente que andava apressada para trabalhar e construir alguma coisa. Bonita na tranqüilidade da vida, no sossego das casas, na calma que se estampava nos rostos das gentes. Bonita no que oferecia de futuro e de perspectivas. Bonita nos carros que andavam em fila, ruidosamente, um atrás do outro, sempre para frente, sempre para frente. Bonita na fumaça negra que escapava dos veículos e subia em espirais, milhares de fumaças reunidas, formando uma bela nuvem negra, como um negro véu, que surgia sobre a terra, espanando o Céu.

                Andou sem querer andar. Viu, sem querer ver. Sentiu, sem querer sentir. Cansou, sem querer cansar. Tudo uma grande mentira neste dia. Como mentira era a vida que ele vivia, cotidianamente, falsificada, pré-fabricada, exaurida, imposta. Suada. Que repousante era viver este dia de mentira. Negar tudo, reviver.

                Andou até a hora de voltar para casa. Outra mentira, não queria voltar para casa, o lar, o aconchego, o refúgio, a fuga. A verdade de sua vida encerrada entre aquelas quatro paredes, a família, o amor, o carinho, o aconchego, o lar, o refúgio, a fuga, a realidade. Não voltar e andar. Percorrendo as ruas, entrando nos prédios, conversando com as pessoas. No entanto, não tinha vontade de conversar.

           Sabia que precisava, mas não tinha vontade de falar. Falava pouco, sua língua andava entorpecida, sem prática. O medo é que um dia desacostumasse e perdesse a capacidade de se comunicar. E como andava difícil se comunicar. Ficou parado numa esquina, esperando a noite passar. E quando o dia chegou, tinha acabado o período da mentira, podia enfrentar de novo a verdade. E disse bom-dia ao porteiro, deu o endereço ao táxi, ligou para a mulher e o patrão. Disse no emprego que estava doente. E, na verdade, estava.


Ignácio de Loyola Brandão,in Para gostar de ler, Ática

domingo, 8 de dezembro de 2013

1.000.000!

Nosso blog atingiu a marca de 1000000 de acessos nessa semana! Agradeço aos leitores. 
Continuem lendo Português é lindo ;)



FOTO: REPRODUÇÃO
\                                        

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Regência do verbo Responder

O verbo "responder" tem as seguintes regências:

a) Transitivo direto quando o complemento é a resposta: "Ele respondeu que não é contra a CPMF".

b) Transitivo indireto com a preposição "a" quando significa dar resposta a alguém ou a alguma coisa: "Respondeu ao ministro em tom agressivo"; "Os estudantes terão três horas para responder às questões de português e matemática"; "Haverá tempo para responder ao restante dos testes"; "Acusado responderá a processo na OAB e pode ser cassado"; "Ele respondeu à pergunta rapidamente".

c) Significando dar resposta a alguém ou a alguma coisa, "responder" pode também ser intransitivo: "Eu a chamei, mas ela não respondeu"; "O réu não ergueu os olhos nem respondeu".

d) Transitivo indireto com a preposição "por" quando significa responsabilizar-se: "Todo cidadão responde pelos seus atos"; "Parecia que outro personagem respondia por ele, a fim de deixá-lo à vontade".

Disponível em: http://www.portuguesnarede.com/2008/06/regncia-responder.html

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Consciência Negra - Projeto interdisciplinar 6o. s aos 9o.s anos

Oi, turminha!



Mais um ano e mais uma Mostra de Conhecimentos belíssima. 
Parabéns, queridos!

Dia da Consciência Negra  

A data é celebrada em 20 de novembro para lembrar Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, assassinado por tropas coloniais em 1695. "Segundo a historiadora da Fundação Cultural Palmares, Martha Rosa Queiroz, a data é uma forma encontrada pela população negra para homenagear o líder na época dos quilombos, fortalecendo assim mitos e referências históricas da cultura e trajetória negra no Brasil e também reforçando as lideranças atuais. "É o dia de lembrar o triste assassinato de Zumbi, que é considerado herói nacional por lei, e de combate ao racismo", afirma. A lei federal de 2011 (12.519) institui o 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra. A adoção dos feriados fica por conta de leis municipais. 




Projeto Interdisciplinar apresentado para avaliação das disciplinas: Língua Portuguesa - Ceça Lima e Helena Caldas, Matemática - Israel Mendonça, Israel Veríssimo e Davson, História - Túlio Aquino, Geografia - Moysés Barreto, Ciências e Biologia - Teresa Bufone ,  Inglês - Jonathan Watson. 



6o.s A/B









7os. A/B






8os. A/ B




























9o.s A/B









 











  
 


 

 

Parabéns, Turminha!


[...] porque a alegria do Senhor é a vossa força.
Neemias 8:10