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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Crase

Oi, Turminha!
(Revisão do conteúdo)

A crase é um fenômeno que indica a fusão de dois aa. Um deles é a preposição. O outro, o artigo ou o pronome demonstrativo.
Estar diante de palavra feminina não é suficiente. É necessário que a preposição a encontre com outro a. Logo existe a necessidade de observar a regência.
Vamos testar?
Vou a piscina, hoje.
João é fiel a Ana.
Perceba que estamos diante de palavras femininas. O que não é suficiente. Dica: substitua a palavra feminina por qualquer palavra masculina. Deu ao? Crase nela.
Vou ao mercado.
João é fiel ao horário.
Percebeu? Vou à piscina. João é fiel à Ana.

Às vezes, a palavra feminina está subentendida. 
Exemplos: "Encaminhou-se à Rua Nova e depois à do Sol."
                 “Foi à livraria Cultura e à José Olympio.”
                  “Cortou os cabelos à Neymar.”

Outros casos:

A palavra casa
A casa onde moramos dispensa o artigo. Sem ele nada de crase. Mas se a palavra vier especificada, exige crase. Observe os dois casos:

Vou a casa.
Voltarei à casa de meus primos.
Logo, crase somente na casa dos outros.

Tenha cuidado com os nomes de cidades, estados e países. Pois são caprichosos, às vezes pedem o artigo. Outras vezes, o esnobam. O que fazer? Dica: substitua o ir por voltar.
“Se, ao voltar, volto da crase no a.
Se, ao voltar, volto de crase pra quê?"
Observe:
1. Vou a França. Volto da França. Logo crase no a. Vou à França.
2. Vou a Roma. Volto de Roma. Logo crase pra quê. Vou a Roma.
Obs.: Se o topônimo estiver antecedido por um adjunto adnominal a crase será obrigatória.
Vou à bela Roma.

Na palavra 
TERRA :

significando planeta ocorrerá a crase:
"Os astronautas voltaram à Terra"
Significando terra natal, lugar de origem:
"Irei à terra de meus avós"
Mas significando chão firme, em oposição a mar ou a bordo, não ocorrerá crase:
"Os marinheiros voltaram a terra"

Face a face tem crase?
Dá uma vontade tão grande de pôr o acento grave, já que a expressão é formada de palavra feminina, mas resista. Nas expressões com palavras repetidas, não se usa crase.
Veja algumas delas:
Cara a cara
face a face frente a frente
semana a semana
 gota a gota.

Vender à vista tem crase? Veja o masculino - vender a prazo. Não há crase. Por que o à? Apenas para evitar mal-entendidos. Sem o acento, confunde-se com vender a vista (o olho).

À zero hora tem crase? Claro. É locução adverbial formada por palavra feminina.
Pintou duvida? Substitua hora por meio dia. Se na troca de ao. Crase nela.
A aula começa às 13 horas. (ao meio dia).
Trabalho das 8h às 12h ( das 8h ao meio-dia).
Percebeu? Português é lindo!

Somente ocorre crase diante de palavras femininas; nunca use o acento grave indicativo de crase diante de palavras masculinas. A crase é feminista.
Exemplos: O sol estava a pino. Sem crase, pois pino é palavra masculina.

Casos especiais:

1. Diante das palavras 
“moda” e “maneira, das expressões adverbiais:
à moda de e à maneira de, mesmo que essas palavras fiquem subentendidas.
Exemplos: Fizemos um churrasco à gaúcha.
Comemos bife à milanesa, frango à passarinho e espaguete à bolonhesa.
Joãozinho usa cabelos à Príncipe Valente.

Nos 
adjuntos adverbiais de modo, de lugar e de tempo femininos, ocorre crase.
Exemplo: à tarde, à noite, às pressas, às escondidas, às escuras,
às tontas, à direita, à esquerda, à vontade, à revelia ...

Nas
 locuções prepositivas e conjuntivas femininas ocorre crase.
Exemplo: à maneira de, à moda de, às custas de, à procura de,
à espera de, à medida que, à proporção que...

Nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, há bem pouco tempo só se admitia o acento indicativo de crase se houvesse ambiguidade na frase.  Hoje, os gramáticos estão admitindo tal acento em qualquer circunstância. 
Exemplo:"Preencheu o formulário à caneta"; "Paguei à vista minhas compras".

Diante dos pronomes relativos “a qual”, “as quais”, quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir a preposição a,ocorre crase.
Exemplo: A cena à qual assisti foi chocante. (quem assiste assiste a algo)

Quando o 
a estiver no singular, diante de uma palavra no plural, não ocorre crase.
Exemplos: Referi-me a todas as alunas, sem exceção.
                   Não gosto de ir a festas desacompanhado.

Diante de 
pronomes possessivos femininos, é facultativo o uso do artigo; então, quando houver a preposição a será facultativa a ocorrência de crase.
Exemplos: Referi-me a sua professora.
Referi-me à sua professora

Após a preposição até é facultativo o uso da preposição a.
Exemplo: Fui até a secretaria ou Fui até  à secretaria. Pois quem vai, vai a algum lugar.

Diante da palavra distância, só ocorrerá crase se a a distância estiver especificada.
Exemplos: Reconheci-o a distância.
Reconheci-o à distância de duzentos metros.

Diante de pronomes de tratamento não ocorrerá crase.
Exceção: senhora, dona e senhorita.
Exemplos: Dei uma rosa a vossa excelência. Dei uma rosa à senhorita.


Diante de números? Sim! Mas é importante lembrar que esse emprego só acontecerá diante de palavras femininas.
Observe alguns empregos:
Faça os exercícios da página 30 à (página) 37.  Nesse exemplo, o número 37 significa "a página 37".  (de prep. + a) + a = Crase)
Viajarei da França à Alemanha. (da + a = crase)
Não ocorre crase antes de numeral = de + a, ou seja, a preposição não veio acompanhada de artigo.
As provas do 1o. período vão de 12 de abril a 20 de abril.  de + a = não há crase.
Trabalho de segunda a sexta. (de + a = não há crase)


Exercícios 
1) Até........ poucos dias, os preços desse produto estavam sujeitos........ grandes oscilações no mercado. 
a) à, a
b) a, à
c) há, a
d) à, à
e) há, à
2) "....... noite, todos os operários voltaram ....... fábrica e só deixaram o serviço ...... uma hora da manhã."
a) Há, à, à
b) A, a, a
c) À, à, à
d) À, a, há
e) A, à, a
3) No território nacional, ...... estatísticas o demonstram: ...... cada trinta minutos uma pessoa sucumbe ...... tuberculose.
a) as, à, a
b) às, à, à
c) às, à, a
d) as, a, à
e) às, a, a
4) A frase em que o uso da crase está incorreto é:
a) O professor dirigiu-se à sala.
b) Fez uma promessa à Nossa Senhora.
c) À noite não gosto de ler.
d) Referiu-se àquilo que viu.
e) Fugiu às pressas.
5) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas: “Quando, ...... dois dias, disse......ela que ia ...... Europa para concluir meus estudos, pôs-se ...... chorar.”
a) a - a - a - a
b) há - à - à - a
c) a - à - a - à
d) há - a - à - a
e) n.d.a
6) Opção que preenche corretamente as lacunas: "O gerente dirigiu-se ...... sua sala e pôs-se ...... falar ...... todas as pessoas convocadas."
a) à, à, a
b) a, à, à
c) à, a, a
d) a, a, à
e) à, a, à
7) Fique ...... vontade e confie ...... mim tudo o que tem ...... dizer. 
a) a, a, à
b) à, a, a
c) à, a, à
d) à, à, à
e) a, à, a
8) Os que assistiram ...... peça chegaram ...... aplaudi-la de pé, postando-se ...... poucos metros do palco.
a) à, à, há
b) à, a, a
c) a, a, à
d) à, a, há
e) a, à, a
09) Foi ...... mais de um século que, numa reunião de escritores, se propôs a maldição do cientista que reduzira o arco-íris ...... simples matéria: era uma ameaça ...... poesia.
a) a, a, à
b) há, à, a
c) há, à, à
d) a, a, a
e) há, a, à 
1O) Refiro-me ...... atitudes de adultos que, na verdade, levam as moças ...... rebeldia insensata e ...... uma fuga insensata.
a) às, à, a
b) as, à, à
c) às, à, à
d) as, à, a
e) às, a, à
11) Postou-se ...... porta do prédio, ...... espera de uma pessoa ...... quem entregar a pasta de documentos.
a) a, a, a
b) à, à, a
c) à, a, a
d) a, a, à
e) à, à, à
12) "......... dois dias da prova, cedeu .......... um impulso irracional de fugir ........... ela."
a) Há, à, a
b) A, à, a
c) Há, à, à
d) A, a, à
e) A, a, a
13) Preencha as lacunas da frase abaixo e assinale a alternativa correta. "Comunicamos ..... V. Sª. que encaminhamos ...... petição anexa ...... Divisão de Fiscalização, que está apta ...... prestar ...... informações solicitadas."
a) a, a, à, a, as
b) à, a, à, a, às
c) a, à, a, à, as
d) à, à, a, à, às
e) à, a, à, à, as
14) O progresso chegou inesperadamente ..... subúrbio. Daqui ...... poucos anos, nenhum dos seus moradores se lembrará mais das casinhas que, ...... tão pouco tempo, marcavam a paisagem familiar.
a) aquele, a, a
b) àquele, à, há
c) àquele, à, à
d) àquele, a, há
e) aquele, à, há
15) Estou ....... espera de certa pessoa, ....... quem poderei pedir informações ....... respeito desse processo.
a) à, à, a
b) a, à, à
c) à, a, a
d) à, a, à
e) a, a, à
16) Preencha corretamente as lacunas, seguindo a ordem fraseológica.
...... três semanas, cheguei ...... Lisboa; daqui ...... três dias farei uma excursão ......França; depois farei uma visita ...... ruínas da Itália; de lá regressarei ....... São Paulo.
a) Há, à, há, a, as, à
b) A, a, a, a, às, a
c) Há, a, a, à, às, a
d) Há, a, há, à, às, a
e) A, à, há a, as, à
17) Assinale a alternativa que preenche corretamente os espaços: “............... algum tempo, vai até ........... montanha e volta .......... casa para descansar.”
a) a - à - à
b) há - a -a
c) há - à - à
d) à - a - a
e) a - a – a
18) Assinale a alternativa que preenche corretamente os espaços: “Durante ......... semana, o rapaz deveria apresentar-se ......... direção da escola, para repor todas as aulas ......... que faltara.”
a) a - à - a
b) a - a - à
c) à - à - a
d) à - à - à
e) à - a – a
19) Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas da seguinte frase: "Um homem condenado ...... ignorância é alguém ...... quem foi roubada uma parte do seu direito ...... vida."
a) à, a, à
b) a, à, a
c) à, a, a
d) a, à, à
e) a, a, à
20) Já ...... tempos venho dizendo que essas medidas têm sido nefastas não só ...... uma determinada categoria profissional, como também ....... toda a sociedade.
a) à, a, a
b) há, a, a
c) há, a, à
d) há, à, a
e) à, à, à
21) “Na minha visita ........ Bahia, ........ dois meses atrás, percorri toda ........ parte central de Salvador, ........ fim de melhor apreciar ........ beleza da cidade, que nada fica ........ dever ........ maioria dos grandes centros comerciais do país e, daqui ........ pouco, será um dos maiores.”
a) a, a, à, à, à, a, a, há
b) à, a, a, a, à, à, a, a
c) à, há, a, a, a, a, à, a
d) a, há, à, a, a, a, a, há
e) a, a, a, à, a, a, a, à
22) (Fei 1995) - Assinalar a alternativa que preenche corretamente as lacunas das seguintes orações:
I. Precisa falar____cerca de três mil operários.
II. Daqui____alguns anos tudo estará mudado.
III. ____dias está desaparecido.
IV. Vindos de locais distantes, todos chegaram____tempo____reunião.
a) a - a - há - a - à
b) à - a - a - há - a
c) a - à - a - a - há
d) há - a - à - a - a
e) a - há - a - à – a
23) (Uelondrina 1994) - Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase apresentada.
Daí ...... poucos instantes, o menino entregou-se ...... reflexões mais sérias e colocou-se ...... disposição do diretor.
a) há - à - à
b) a - à - a
c) há - a - à
d) à - a - a
e) a - a – à
24) (Mackenzie 1996) - Assinale a alternativa que preenche com exatidão as lacunas.
Estou aqui desde ______ 8 h, mas só poderei ficar até ______ 9h 30min, porque ______ 10h 30min assistirei ______ sessão solene de abertura de uma importante exposição de arte moderna, precisando, para isso, dirigir-me ______ Rua 7 de abril e ir _____ Galeria "Sanson Flexor".
a) às - às - às - a - a - a
b) às - as - às - à - à - à
c) as - as - às - a - à - à
d) as - as - às - à - à - à
e) às - as - as - à - à – à
25) (Uelondrina 1995) - Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase apresentada.
Uma ..... uma, todas as alunas prestarão contas ..... diretora daquilo que fizeram ..... pouco.
a) à - a - a
b) a - à - há
c) à - à - a
d) a - a - há
e) à - à – há

Gabarito:
1C, 2C, 3D, 4B, 5D, 6C, 7B, 8B, 9E, 10A, 11B, 12E, 13A, 14D, 15C, 16C, 17B, 18A, 19A, 20A, 21A, 22A, 23E, 24D, 25B

Disponível em: http://www.analisedetextos.com.br/2010/10/43-exercicios-praticos-sobre-crase-com.html


Dia Nacional da Consciência Negra

Oi, Turminha!
                                   

    
                                                 
                                                    Tirei daqui                       


Pessoal, está chegando o Dia Nacional da Consciência Negra, aqui no Brasil,  é celebrado em 20 de novembro. É  um dia importante para reflexões a respeito da história do negro e suas conquistas, ou seja, a resistência , desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro em 1549. 

Na Mostra de conhecimentos, trabalharemos questões como a inserção do negro no mercado de trabalho, as cotas universitárias, se existe ainda discriminação por parte da polícia, entre outros assuntos.

Falaremos também sobre o continente africano e a sua literatura. Este ano, contemplaremos o livro Terra Sonâmbula e o seu autor Mia Couto,  de Moçambique .
“Se dizia daquela terra que era sonâmbula. Porque enquanto os homens dormiam, a terra se movia espaços e tempos afora. Quando despertavam, os habitantes olhavam o novo rosto da paisagem e sabiam que, naquela noite, eles tinham sido visitados pela fantasia do sonho.” ( Crença dos habitantes de matimati)
(In. Terra Sonâmbula . Mia Couto)
Será um momento singular.  Conto com vocês!

Gênero documentário


Oi, Turminha!

O texto abaixo vai ajudar na elaboração e produção dos documentários solicitados neste período. Beijo! 


                                                 Tirei daqui
O documentário é o gênero do cinema que mais se aproxima do jornalismo eletrônico. Embora tenha como característica transformar o banal em espetáculo cinematográfico, não deixa de ser poético e subjetivo, carregando a marca de seu autor. Em outras palavras, apesar de ser uma produção em equipe, o documentário é de autoria do diretor do filme.
Como Produzir um documentário na escola
1a etapa: Definir como dos alunos funções. 
Diretor: é o responsável pela equipe; precisa ter liderança.
Redator: redige o texto para o apresentador e para o repórter.
Repórter / narrador: faz entrevistas e narra o texto.
Diretor de arte: é o responsável pela criação musical e visual (logotipo, cenário, figurino do apresentador, trilha sonora).
Diretor de imagem e operador de câmera: é o responsável pela gravação.
 2a etapa: Criar uma sinopse do documentário. (Sinopse é a história contada em poucas frases. Serve como ponto de partida para o autor e como cartão de visita do filme, no processo inicial de Captação de Recursos.) 
3a etapa: Escrever o roteiro do documentário. (Roteiro é o texto técnico detalhado e descritivo. Serve para Levantamento das Necessidades de cada cena e como guia de filmagem. Por convenção os diálogos são escritos com travessão.) 
4a etapa:fazer o storyboard do documentário. (Storyboard é o roteiro de filme cinematográfico ou de uma produção de vídeo ilustrado por imagens. Descrevê e mostra como será feito o Plano a ser filmado, a fala do narrador, o Diálogo da cena, enfim, mostra uma seqüência de planos que formam o filme.) 
5a Etapa: Proceder à gravação. 
6a etapa: Preparar uma edição.


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Complexo Portuário de Suape

Excursão interdisciplinar 


Aula de Campo – 9º ano


 Os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental II participaram no dia 30-10  de uma aula de campo, cujo tema foi  Complexo Portuário de Suape  . Acompanhados pela coordenadora Eve Odísio, pelas professoras de Língua Portuguesa, Helena Caldas e Ceça Lima, pelos Professores de Geografia, Moisés Barreto e Hadman Santos. Uma atividade pedagógica rica de experiências e de muita confraternização. Parabenizamos nossos alunos pelo sucesso da atividade.

Confira as fotos!


































Depois ...










terça-feira, 29 de outubro de 2013

Recife recebe caravana digital educativa








       O Parque da Jaqueira recebeu hoje a Caravana digital da FTD






"Os ônibus-laboratório foram equipados com tablets, lousa digital e monitores de TV para apresentar uma série de vídeos, animações, jogos educativos, simulações, infográficos interativos e objetos de realidade aumentada. os assessores pedagógicos explicam aos professores sobre o uso desses materiais em sala de aula, orientando-os para a melhor aplicação de cada um e esclarecendo possíveis dúvidas."


    Quer conferir? Continua amanhã a partir das 14 h .



Um momento de troca e interação, propondo um desafio aos sujeitos que fazem uso das novas  tecnologias como ferramentas indispensáveis ao cotidiano do professor. 



                         Obrigada, FTD.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Histórias de Mia Couto

A Rosa Caramela




                                                                              Tirei daqui
                                                           
"A mulher corcunda (também conhecido como Hunchback II)"
Alexej Georgewitsch Von Jawlensky - óleo sobre painel - 54 x 49 cm - 1911 - (Private collection)


      Acendemos paixões no rastilho do próprio coração. O que amamos é sempre chuva, entre o voo da nuvem e a prisão do charco. Afinal, somos caçadores que a si mesmo se azagaiam. No arremesso certeiro vai sempre um pouco de quem dispara.


        Dela se sabia quase pouco. Se conhecia assim, corcunda-marreca, desde menina. Lhe chamávamos Rosa Caramela. Era dessas que se põe outro nome. Aquele que tinha, de seu natural, não servia. Rebaptizada, parecia mais a jeito de ser do mundo. Dela nem queríamos aceitar parecenças. Era a Rosa. Subtítulo: a Caramela. E ríamos.
        A corcunda era a mistura das raças todas, seu corpo cruzava os muitos continentes. A família se retirara, mal que lhe entregara na vida. Desde então, o recanto dela não tinha onde ser visto. Era um casebre feito de pedra espontânea, sem cálculo nem aprumo. Nele a madeira não ascendera a tábua: restava tronco, pura matéria. Sem cama nem mesa, a marreca a si não se atendia. Comia? Ninguém nunca lhe viu um sustento. Mesmo os olhos lhe eram escassos, dessa magreza de quererem, um dia, ser olhados, com esse redondo cansaço de terem sonhado.
        A cara dela era linda, apesar. Excluída do corpo, era até de acender desejos. Mas se às arrecuas, lhe espreitassem inteira, logo se anulava tal lindeza. Nós lhe víamos vagueando nos passeios, com seus passinhos curtos, quase juntos. Nos jardins, ela se entretinha: falava com as estátuas. Das doenças que sofria essa era a pior. Tudo o resto que ela fazia eram coisas de silêncio escondido, ninguém via nem ouvia. Mas palavrear com estátuas, isso não, ninguém podia aceitar. Porque a alma que ela punha nessas conversas chegava mesmo de assustar. Ela queria curar a cicatriz das pedras? Com maternal inclinação, consolava cada estátua:
        - Deixa, eu te limpo. Vou tirar esse sujo, é sujo deles.
E passava uma toalha, imundíssima, pelos corpos petrimóveis. Depois, retomava os atalhos, iluminando-se de enquantos, no círculo de cada poste.
De dia lhe esquecíamos a existência. Mas às noites, o luar nos confirmava seu desenho torto. A lua parecia pegar-se à marreca, como moeda em encosto avaro. E ela, frente aos estatuados, cantava de rouca e inumana voz: pedia-lhes que saíssem da pedra. Sobressonhava.
        Nos domingos ela se recolhia, ninguém. A velha desaparecia, ciumosa dos que enchiam os jardins, manchando os sossegos do território dela.
De Rosa Caramela, afinal, não se procurava explicação. Só um motivo se contava: certa vez, Rosa ficara de flores na mão, suspensa à entrada da igreja. O noivo, esse que havia, demorou de vir. Demorou tanto que nunca veio. Ele lhe recomendara: não quero cerimónias. Vou eu e tu, só nós ambos. Testemunhas? Só Deus, se estiver vago. E Rosa suplicava:
        - Mas, o meu sonho?
      Toda a vida ela sonhara a festa. Sonho de brilhos, cortejo e convidados. Só aquele momento era seu, ela rainha, linda de espalhar invejas. Com o longo vestido branco, o véu corrigindo as costas. Lá fora, as mil buzinas. E agora, o noivo lhe negava a fantasia. Se desfez das lágrimas, para que outra coisa serve o verso das mãos? Aceitou. Que fosse como ele queria.
        Chegou a hora, passou a hora. Ele nem veio nem chegou. Os curiosos se foram, levando os risos, as zombarias. Ela esperou, esperou. Nunca ninguém esperou tanto um tempo assim. Só ela, Rosa Caramela. Ficou-se no consolo do degrau, a pedra sustentanto o seu universal desencanto.
        História que contam. Tem sumo de verdade? O que parece é que nenhum noivo não havia. Ela tirara tudo aquilo de sua ilusão. Inventara-se noiva, Rosita-namorada, Rosa-matrimoniada. Mas se nada não aconteceu, muito foi que lhe doeu o desfecho. Ela se aleijou na razão. Para sarar as ideias, lhe internaram. Levaram-lhe no hospital, nem mais quiseram saber. Rosa não tinha visitas, nunca recebeu remédio de alguma companhia. Ela se condizia sozinha, despovoada. Fez-se irmã das pedras, de tanto nelas se encostar. Paredes, chão, tecto: só a pedra lhe dava tamanho. Rosa se pousava, com a leveza dos apaixonados, sobre os frios soalhos. A pedra, sua gémea.
        Quando teve alta, a corcunda saiu à procura de sua alma minéria. Foi então que se enamorou das estátuas, solitárias e compenetradas. Vestia-lhes com ternura e respeito. Dava-lhes de beber, acudia-lhes nos dias de chuva, nos tempos de frio. A estátua dela, a preferida, era a do pequeno jardim, frente à nossa casa. Era monumento de um colonial, nem o nome restava legível. Rosa desperdiçava as horas na contemplação do busto. Amor sem correspondência: o estatuado permanecia sempre distante, sem dignar atenção à corcovada.

        Da nossa varanda lhe víamos, nós, sob o zinco, em nossa casa de madeira. Meu pai, sobretudo, lhe via. Calava-se em si, todo. Era a loucura da corcunda que fazia voar nossos juízos? O meu tio brincava, para salvar o nosso estado:
        - Ela é como o escorpião, leva o veneno nas costas.
Dividíamos os risos. Todos, excepto meu pai. Sobejava intacto, grave.
        - Ninguém vê o cansaço dela, vocês. Sempre a carregar as costas nas costas.
        Meu pai se afligia muito dos cansaços alheios. Ele, em si, não se dava a fatigar. Sentava-se. Servia-se dos muitos sossegos da vida. Meu tio, homem de expedientes, lhe avisava:
         - Mano Juca, desarasca lá uma maneira de viver.
Meu pai nem respondia. Parecia mesmo que ele mais se tornava encostadiço, cúmplice da velha cadeira. Nosso tio tinha razão: ele carecia de ocupação salariável. O único despacho de seu fazer era alugar os próprios sapatos. Domingo, chegavam os do clube dele, paravam a caminho do futebol.
        - Juca, vimos por causa os sapatos.
Ele acenava, lentíssimo.
        - Já sabem o contrato: levam e, depois, quando regressarem, contam como foi o jogo.
E inclinava-se para tirar os sapatos debaixo da cadeira. Baixava-se com tanto esforço que parecia estar a apanhar o próprio chão. Subia o par de sapatos e olhava-lhes em fingida despedida:
        - Custa-me.
        Só por causa do médico é que ele ficava. Proibiram-lhe os excessos do coração, pressas no sangue. - Porcaria de coração.
Batia no peito para castigar o órgão. E voltava à conversa com o calçado:
        - Vejam lá, vocês, sapatinhos: hora certa, regressam de volta.
        E recebia, adiantado, os dinheiros. Ficava por muito gesto a contar as notas. Era como se lesse um gordo livro, desses que gostam mais dos dedos que dos olhos.
        Minha mãe: era ela que metia os pés na vida. Muito cedo saía, rumo dela. Chegava ao bazar, a manhã ainda era pequena. O mundo transparecia, em estreia solar. A mãe arrumava a banca antes das outras vendedeiras. Entre couves empilhadas, se via a cara dela, gorda de tristes silêncios. Ali se sentava, ela e o corpo dela. Na luta pela vida, a mamã nos fugia. Chegava e partia no escuro. À noite, lhe escutávamos, ralhando com a preguiça do pai.
        - Juca, você pensa a vida? - Penso, até muito. - Sentado?
        Meu pai se poupava nas respostas. Ela, só ela, lastimava:
        - Eu, sozinha, no serviço dentro e fora.
        Aos poucos, as vozes se apagavam no corredor. De minha mãe ainda sobravam suspiros, desmaios da sua esperança. Mas nós não dávamos cuba a meu pai, Ele era um homem bom. Tão bom que nunca tinha razão.

        E assim, em nosso pequeno bairro, a vida se resumia. Até que, um dia, nos chegou a notícia: a Rosa Caramela tinha sido presa. Seu único delito: venerar um colonialista. O chefe das milícias atribuiu a sentença: saudosismo do passado. A loucura da corcunda escondia outras, políticas razões. Assim falou o comandante.
       Não fora isso, que outro motivo teria ela para se opor, com violência e corpo, ao derrube da estátua? Sim, porque o monumento era um pé do passado rasteirando o presente. Urgia a circuncisão da estátua para respeito da nação.
Do modo que levaram a velha Rosa, para cura de alegadas mentalidades. Só então, na ausência dela, vimos o quanto ela compunha a nossa paisagem.
        Ficamos tempos sem escutar suas notícias. Até que, certa tarde, nosso tio rasgou os silêncios. Ele vinha do cemitério, chegado do enterro de Jawane, o enfermeiro. Subiu as pequenas escadas da varanda e interrompeu o descanso de meu pai. Coçando as pernas, o meu velhote piscou os olhos, calculando a luz:
        - Então, trouxeste os sapatos?
O tio não respondeu logo. Estava ocupado a servir-se da sombra, curando-se da transpiração. Soprou nos próprios lábios, cansado. No seu rosto eu vi aquele alívio de quem regressa de um enterro.
       - Estão aqui, novinhos. Eh pá, Juca, me fizeram jeito esses sapatos pretos!
       Procurou nos bolsos mas o dinheiro, que sempre tem modos rápidos ao entrar, demorou a sair. Meu pai lhe emendou o gesto:
       - A você não aluguei. Somos da família, calçamos juntos.
      O tio se sentou. Puxou da garrafa de cerveja e encheu um copo grande. Depois, com ciência, pegou numa colher de pau e retirou a espuma para outro copo. Meu pai serviu-se desse copo, só com espuma. Proibido nos liquídos, o velho se dedicava só nos espumantes.
       - É leve, a espuminha. O coração nem nota a passagem dela.
    Se consolava, olhos em riste como se alongasse o pensamento. Não passava de fingimento aquele afundar-se em si.
       - Estava cheio o enterro?
      Enquanto desamarrava os sapatos, meu tio explicou a enchente, multidões pisando os canteiros, todos a despedirem do enfermeiro, coitado, também ele se morreu.
       Mas matou-se mesmo?
     - Sim, o gajo se pendurou. Encontraram-lhe já estava duro, parecia gomadinho na corda.
     - Mas matou-se por qual razão?
     - Não sei lá. Dizem foi por motivo de mulheres. Calaram-se os dois, sorvendo os copos. O que mais lhes doía não era o facto mas o motivo.
      - Morrer assim? Mais vale falecer.
       Meu velho recebeu os sapatos e inspeccionou-lhes com desconfiança:
      - Esta terra vem de lá?
      - É onde, esse lá?
      - Pergunto se vem do cemitério. - Talvez vem.
      - Então vai lá limpar, não quero poeira dos mortos aqui.
    Meu tio desceu as escadas e sentou-se no último degrau, escovando as solas. No enquanto, foi contando. A cerimónia decorria-se, o padre executava as rezas, abastecendo as almas. De repente, o que sucede? Aparece a Rosa Caramela, vestida de máximo luto.
      - A Rosa já saiu da prisão? - perguntou, atónito, o meu pai.
Sim, saíra. Numa inspecção à cadeia, lhe deram amnistia. Ela era louca, não tinha crime mais grave. Meu pai insistia, admirado:
      - Mas ela, no cemitério?
      O tio prosseguiu o relato. A Rosa, por baixo das costas, toda de negro. Nem um corvo, Juca. Foi entrando, com modos de coveira, espreitando as sepulturas. Parecia escolher o buraco dela. No cemitério, você sabe, Juca, lá ninguém demora a visitar as covas. Passamos depressa. Só essa corcunda, a gaja...
       - Conta o resto - cortou o meu pai.
Seguiu-se a narração: a Rosa, ali, no meio de todos, começou a cantar. Com educado espanto, os presentes a fixavam. O padre mantinha a oração mas ninguém já lhe ouvia. Foi então que a marreca começou a despir.
       - Mentira, mano.
     Fé de Cristo, Juca, me desçam duas mil facas. Despiu. Foi tirando os panos, com mais vagar que esse calor de hoje. Ninguém ria, ninguém tossia, ninguém nada. Já nua, esroupada, ela se chegou junto à campa do Jawane. Encimou os braços, lançou as roupas dela na cova. A multidão receou a visão, recuou uns passos. A Rosa, então, rezou:
     - Leva essas roupas, Jawane, te vão fazer falta. Porque tu vais ser pedra, como os outros.
Olhando os presentes, ela ergueu a voz, parecia maior que uma criatura:
      - E agora: posso gostar?
      Os presentes recuaram, só se escutava a voz da poeira.
      - Hein? Deste morto posso gostar! Já não é dos tempos. Ou deste também sou proibida?
      O meu pai deixou a cadeira, parecia quase ofendido.
      - Falou assim, a Rosa?
      - Autêntico.
       E o tio, já predispronto, imitava a corcunda, seu corpo vesgo: e este, posso-lhe amar? Mas o meu velhote se escapou a ouvir.
       - Cala-te, não quero ouvir mais.
      Brusco, ele largou o copo pelos ares. Queria despejar a espuma mas, de injusto lapso, saiu-lhe o copo todo da mão. Como se pedisse desculpa, meu tio foi apanhando os vidrinhos, tombados de costas pelo quintal.
      Nessa noite, eu desconsegui de dormir. Saí, sentei a insónia no jardim da frente. Olhei a estátua, estava fora do pedestal. O colono tinha as barbas pelo chão, parecia que era ele mesmo quem tinha descido, por soma de grandes cansaços. Tinham arrancado o monumento mas esqueceram de o retirar, a obra requeria acabamentos. Senti quase pena do barbudo, sujo das pombas, encharcado de poeira. Me acendi, vindo ao juízo: estou como a Rosa, pondo sentimento nos pedregulhos? Foi então que vi a própria, a Caramela, parecia chamada pelos meus conjuros. Fiquei quase gelado, imovente. Queria fugir, minhas pernas se negavam. Estremeci: eu me convertia em estátua, virando assunto das paixões da marreca? Horror, me fugisse a boca para sempre. Mas, não. A Rosa não parou no jardim. Atravessou a estrada e chegou-se às escadinhas de nossa casa. Baixou-se nos degraus, limpou deles o luar. Suas coisas se pousaram num suspiro. Depois, ela se entartarugou, aprontando-se, quem sabe, ao sono. Ou fosse de sua intenção apenas a tristeza. Porque lhe escutei chorar, num murmúrio de águas escuras. A corcunda se derramava, parecia era vez dela se estatuar. Me infindei, nessa visagem.
      Foi, então. Meu pai, em apuros de silêncio, abriu a porta da varanda. Lento, se aproximou da corcunda. Por instantes, ficou debruçado sobre a mulher. Depois, movendo a mão como se fosse um gesto só sonhado, lhe tocou os cabelos. Rosa nem se esboçava, a princípio. Mas, depois, foi saindo de si, rosto na metade da luz. Olharam-se os dois, ganhando beleza. Ele, então, sussurrou:
         - Não chora, Rosa.
        Eu quase não ouvia, o coração me chegava aos ouvidos. Me aproximei, sempre por trás do escuro. Meu pai lhe falava ainda, aquela sua voz nem eu lhe havia nunca ouvido.
       - Sou eu, Rosa. Não lembra?
       Eu estava no meio das buganvílias, seus picos me rasgavam. Nem sentia. O assombro me espetava mais que os ramos. As mãos de meu pai se afundavam no cabelo da corcunda, pareciam gente, aquelas mãos, pareciam gente se afogando.
        - Sou eu, Juca. O seu noivo, não lembra?
       Aos poucos, Rosa Caramela se irrealizou. Ela nunca tanto existira, nenhuma estátua lhe merecera tantos olhos. Meigando ainda mais a voz, meu pai lhe chamou:
       - Vamos, Rosa.
      Sem querer eu já saíra das buganvílias. Eles me podiam ver, nem me fazia nenhum estorvo. Parecia a Lua até atiçou seu brilho quando a corcunda se ergueu.
        - Vamos, Rosa. Pega suas coisas, vamos embora. E foram-se os dois, noite adentro.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ensinamento

                                                      Tirei daqui
“Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.”
Adélia Prado